sexta-feira, 18 de junho de 2010

Amuado amuadinho

Reservo-me o direito de amuar
Amuo por tudo e por nada
Amuo quando quero odiar
Amuo quando deveria amar

O amuo é a minha forma protestar
Está vincado na minha natureza
O amuo é a minha defesa
É algo que não posso contrariar

E por vezes logo pela manhã
Acordo pronto para o amuo
É de certeza uma triste manha
Com a qual compactuo

Mesmo que a outros possa desagradar
Continuará este ser complicado
O seu temperamento amuado

Texto: Moço do Barrete

sábado, 5 de junho de 2010

O que dizem

«Sítio de partida para sítio nenhum. Ficar na partida, ponto assente, para o momento em que apenas se é. O lugar é esse - aquele que não está em mais lugar algum. Fica-se surpreso pelo que pode significar este novo sentido, mas a surpresa maior será não perceber que, de facto, assim é. Quando se chega nunca afinal dali se saiu. Sempre estiveramos lá, nessa meta/partida. No encontro há quem prefira perder-se na contemplação, enquanto outros ficam contemplados de si mesmos. É aquela admiração por um novo que sempre se conheceu no inconsciente. A vida mostra o que tem de mostrar, sem a pressa do tempo. Encarrega-se do próprio tempo só para que possamos reparar atentamente no que nos é proporcionado com as aberturas de alma em que o silêncio nos ocupa. É preciso esse silêncio - a acalmia interior - para que a meta seja revelada diante de um ser preparado para iniciar, aí sim, a caminhada. Quando se chega aterra-se, mas sem deslocação material - apenas de momento físico para não físico, do estar aqui para o estar mesmo aqui. Há diferença. E para descobri-la basta isso: bater às portas de dentro e deixá-las, uma vez abertas, escancaradas para voltarmos a entrar e a sair sempre que quisermos.»

Autor desconhecido

segunda-feira, 31 de maio de 2010

El ratón



El ratón tem orelhas de ratón. Vive nas catacumbas de um prédio inválido onde armazena 20 tipos de queijo diferentes, roubados com toda a manha de um pequeno roedor francês. Oui, lui-même, nascido e desenvolvido em Paris, com nome atribuído pela máfia espanhola de rataria do bairro. Apara por hábito os bigodes com lâmina afiada na barbearia-moderna-que-sei-lá e usa o pêlo lambido a brilhantina por baixo de uma camiseta axadrezada. De sovaco com desodorizante barato, desliza canos acima dia sim dia sim para lançar charme às quatro patas mais cobiçadas do pedaço – o Jacques. «Ó Jacques, deixas-me o coração em fanicos. Guincho à noite o atirei o pau ao gato para te deixar feliz e nem pipoca para mim. Ó sina não assinada… ó fortuna desafortunada… ó destino desatinado», lamuria-se. E joga os braços em ar desamparado enquanto cai de corpo mole no chão, triste como só ele, morrendo de amor. Com rabiosque a balançar e muitos suspiros no peito, deixa-se à espera dias e horas sem fim até ouvir um sinal de presença do seu querido «requeijão». Ao mínimo som a orelha arrebita e lá vão as quatro patitas do ratón a velocidade de torcicolo para uma nova investida ao «Jacques, mon amour, acumulei quilos de saudades desde que saíste [há cinco minutos, acrescento eu]. Queres deixar-me entrar, queres, queres? Só um bocadinho para dois piscar de olhos de conversa…» E Jacques deixa, pela primeira vez na vida peluda do nosso protagonista. Com a boca pingona de baba feliz e com o coração a palpitar cavalos a galope, o ratón dirige-se desalmado para a porta do seu bem amado. Corre, corre, ratón, corre. Mas com tanta velocidade escapam-se-lhe as patas para um buraco. Cai, cai, ratón, cai. Foi parar a um contentor destinado à China, selado e carimbado, com partida imediata. «Ó, Jacques…»

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Amor de Índio

Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.

Abelha fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor
e ser todo
Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo

Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.

No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conheçer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo.


De Maria Bethânia
Composição: Beto Guedes e Ronaldo Bastos

Princesa, mas pouco


Era uma vez uma princesa
Que tirava macacos do nariz
Com as suas unhas pintadas
Com o mais caro verniz

Era uma vez uma princesa
Que tinha um vestido roto
E sempre que comia
Libertava um forte arroto

Era uma vez uma princesa
Com lindos caracóis ondulantes
Mas no seu cabelo seboso
Os piolhos eram abundantes

Era uma vez uma princesa
Que tinha um belo sorriso
Expulsava alegremente gases
Sem qualquer aviso

Era uma vez uma princesa
Da mais fina educação
Por onde passava
Sujava sempre o chão

Era uma vez uma princesa
Que tinha imensos casacos
Mas sempre que os usava
Cheirava mal dos sovacos


Poema do Moço do Barrete
(amigo das mimalhas)

Desenho da Olive Oil
(mimalha em pessoa)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Tchim-tchim!


Ela não é pessoa, mas ele é. Encontram-se os dois a meio caminho do café onde habitualmente tomam bagaço. Seguem juntos pela calçada, livro armado debaixo do braço, cruzando pombos e putos em brincadeira com pistolas de água. Apaixonaram-se ainda ela não tinha olho esquerdo, nem trança de lã, e ela jura ter sido de dia - ele argumenta que não, foi numa noite cerrada. E nesse dia (ou noite) saiu da boca inesperada do macho o amor é fogo que arde sem se ver... Ela espevitou como a pevide quando o casaco dele começou a deitar fumo e a largar chamas. Afinal o amor via-se (apesar de ter sido ateado por um fósforo). Foi nesse momento que decidiram juntar os trapos, literalmente no caso dela, e descer avenidas camões para celebrar a vida nos copos das tabernas. Tchim-tchim!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Bela Acordada


Enquanto dormitas o mundo gravita. E na suspensão desse momento voam pássaros, saltam crianças, coaxam rãs, coçam-se olhos, espirram-se narizes e comem-se gelados. O destino segue o destino de que depende e eu... faço bonecos. Sem reticências, com convicção de Olive.

sábado, 24 de abril de 2010

O que são os Encontros MiMU?

Encontros MIMU – Mimo, Imaginação, Mais-que-tudo, Unidade
É no sentimento de unidade e de termos uns interiores ricaços que surge a ideia de pôr em comum e de explorar a nossa criatividade. Um encontro entre amigos no compromisso de partilhar e desenvolver temas, actividades e o que nos der na real gana. O grupo é guiado por todos – cada encontro é orientado por uma pessoa diferente, que só tem de propor qualquer coisa (que lhe tenha passado pelos neurónios) ao colectivo. Afinal somos um. :D

Missão: Conviver e brincar partilhando

Objectivos:
. Desenvolver as habilidades criativas individuais e de grupo
. Fortalecer laços de união entre as pessoas
. Potencializar e explorar formas de relacionamento
. Reencontrar a criança interna
. Comungar experiências
. Cuidar o desenvolvimento físico, mental, emocional e espiritual
. Libertar tensões
. Integrar a brincadeira no dia-a-dia
. Aprender através da singularidade de cada um
. Dar asas à imaginação

Requisitos: Vontade de estar (lá, aqui ou onde quer que seja)

Valores: Amor e Receptividade

Local:
o que o Universo proporcionar

Nascimento do projecto: nasceu no dia 4 de Janeiro de 2010, a horas tardias,foi partilhado nos dias seguintes até ganhar uma forma consistente e partilhado no dia 8 de Janeiro, enquanto projecto. 1º encontro no dia 13 de Janeiro. Grupo formado com 7 pessoas que se juntam quinzenalmente (às terças-feiras)para partilha de experiências.