Momentos! Vida!
É assim que caracterizo tudo o que acontece. O mundo pula e avança sempre que o homem sonha. Às vezes sonhos um pouco distorcidos trazem sabores menos agradáveis. Mas também isso é vida!
Aquela coisa completa que nos enche e preenche de momentos a todo o instante. A presença com que estás em cada situação é o que te permite saborear e aceitar o que vem. Mesmo que não se entenda, mesmo que provoque dor, pouco importa, também isso passará.
A resistência à mudança é essencialmente o que acarreta maior sofrimento ao que nos acontece. Porque criamos a ilusão do controlo, alimentamos as doces expectativas do que gostaríamos que fosse, como objectivos/ metas a alcançar.
E nesta "luta" do caminho a alcançar não saboreamos a viagem, o percurso que nos vai sendo revelado à medida que caminhamos. E esse é tão simples.
Há muita coisa que não se percebe no momento em que ocorre, talvez porque não tem de ser percebido, apenas sentido e vivido. E a racionalidade quer explicações, na ilusão de ao compreender poder controlar.
Mas a vida ensina que não. Não se pode poder controlar as circunstâncias exteriores, o que nos acontece. Apenas a forma como podemos lidar com o que nos acontece.
O resto é mistério! E se assim não fosse não teria piada!
segunda-feira, 20 de junho de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Tu que bates

Apetece-me abraçar o Mundo. Só porque sim.
Só porque Amo.
Amo o mundo
Amo-me
E Amo com vontade de te Amar
O meu coração não tem pertença
Mas só porque bate
Sinto
Sinto que é enorme
E quanto mais bate mais se expande
Tenho em mim o limite da eternidade
De um sorriso
De um beijo
De uma gota que cai
Tenho em mim a Alegria
Do porque sim.
Porque não
E expresso
Amo
Abraço
Sorrio
Porque sinto o sopro
Do ar que respiro
Do movimento
Que move uma pena
Que move montanhas
Coração que bates no ritmo
Ora abres
Ora fechas
Ora abres
Ora fechas
Coração que bates
pela vida que brota
De dentro
Para fora
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Amuado amuadinho
Reservo-me o direito de amuar
Amuo por tudo e por nada
Amuo quando quero odiar
Amuo quando deveria amar
O amuo é a minha forma protestar
Está vincado na minha natureza
O amuo é a minha defesa
É algo que não posso contrariar
E por vezes logo pela manhã
Acordo pronto para o amuo
É de certeza uma triste manha
Com a qual compactuo
Mesmo que a outros possa desagradar
Continuará este ser complicado
O seu temperamento amuado
Texto: Moço do Barrete
Amuo por tudo e por nada
Amuo quando quero odiar
Amuo quando deveria amar
O amuo é a minha forma protestar
Está vincado na minha natureza
O amuo é a minha defesa
É algo que não posso contrariar
E por vezes logo pela manhã
Acordo pronto para o amuo
É de certeza uma triste manha
Com a qual compactuo
Mesmo que a outros possa desagradar
Continuará este ser complicado
O seu temperamento amuado
Texto: Moço do Barrete
sábado, 5 de junho de 2010
O que dizem
«Sítio de partida para sítio nenhum. Ficar na partida, ponto assente, para o momento em que apenas se é. O lugar é esse - aquele que não está em mais lugar algum. Fica-se surpreso pelo que pode significar este novo sentido, mas a surpresa maior será não perceber que, de facto, assim é. Quando se chega nunca afinal dali se saiu. Sempre estiveramos lá, nessa meta/partida. No encontro há quem prefira perder-se na contemplação, enquanto outros ficam contemplados de si mesmos. É aquela admiração por um novo que sempre se conheceu no inconsciente. A vida mostra o que tem de mostrar, sem a pressa do tempo. Encarrega-se do próprio tempo só para que possamos reparar atentamente no que nos é proporcionado com as aberturas de alma em que o silêncio nos ocupa. É preciso esse silêncio - a acalmia interior - para que a meta seja revelada diante de um ser preparado para iniciar, aí sim, a caminhada. Quando se chega aterra-se, mas sem deslocação material - apenas de momento físico para não físico, do estar aqui para o estar mesmo aqui. Há diferença. E para descobri-la basta isso: bater às portas de dentro e deixá-las, uma vez abertas, escancaradas para voltarmos a entrar e a sair sempre que quisermos.»
Autor desconhecido
segunda-feira, 31 de maio de 2010
El ratón
El ratón tem orelhas de ratón. Vive nas catacumbas de um prédio inválido onde armazena 20 tipos de queijo diferentes, roubados com toda a manha de um pequeno roedor francês. Oui, lui-même, nascido e desenvolvido em Paris, com nome atribuído pela máfia espanhola de rataria do bairro. Apara por hábito os bigodes com lâmina afiada na barbearia-moderna-que-sei-lá e usa o pêlo lambido a brilhantina por baixo de uma camiseta axadrezada. De sovaco com desodorizante barato, desliza canos acima dia sim dia sim para lançar charme às quatro patas mais cobiçadas do pedaço – o Jacques. «Ó Jacques, deixas-me o coração em fanicos. Guincho à noite o atirei o pau ao gato para te deixar feliz e nem pipoca para mim. Ó sina não assinada… ó fortuna desafortunada… ó destino desatinado», lamuria-se. E joga os braços em ar desamparado enquanto cai de corpo mole no chão, triste como só ele, morrendo de amor. Com rabiosque a balançar e muitos suspiros no peito, deixa-se à espera dias e horas sem fim até ouvir um sinal de presença do seu querido «requeijão». Ao mínimo som a orelha arrebita e lá vão as quatro patitas do ratón a velocidade de torcicolo para uma nova investida ao «Jacques, mon amour, acumulei quilos de saudades desde que saíste [há cinco minutos, acrescento eu]. Queres deixar-me entrar, queres, queres? Só um bocadinho para dois piscar de olhos de conversa…» E Jacques deixa, pela primeira vez na vida peluda do nosso protagonista. Com a boca pingona de baba feliz e com o coração a palpitar cavalos a galope, o ratón dirige-se desalmado para a porta do seu bem amado. Corre, corre, ratón, corre. Mas com tanta velocidade escapam-se-lhe as patas para um buraco. Cai, cai, ratón, cai. Foi parar a um contentor destinado à China, selado e carimbado, com partida imediata. «Ó, Jacques…»
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Amor de Índio
Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.
Abelha fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor
e ser todo
Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.
No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conheçer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo.
De Maria Bethânia
Composição: Beto Guedes e Ronaldo Bastos
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.
Abelha fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor
e ser todo
Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.
No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conheçer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo.
De Maria Bethânia
Composição: Beto Guedes e Ronaldo Bastos
Princesa, mas pouco
Era uma vez uma princesa
Que tirava macacos do nariz
Com as suas unhas pintadas
Com o mais caro verniz
Era uma vez uma princesa
Que tinha um vestido roto
E sempre que comia
Libertava um forte arroto
Era uma vez uma princesa
Com lindos caracóis ondulantes
Mas no seu cabelo seboso
Os piolhos eram abundantes
Era uma vez uma princesa
Que tinha um belo sorriso
Expulsava alegremente gases
Sem qualquer aviso
Era uma vez uma princesa
Da mais fina educação
Por onde passava
Sujava sempre o chão
Era uma vez uma princesa
Que tinha imensos casacos
Mas sempre que os usava
Cheirava mal dos sovacos
Que tirava macacos do nariz
Com as suas unhas pintadas
Com o mais caro verniz
Era uma vez uma princesa
Que tinha um vestido roto
E sempre que comia
Libertava um forte arroto
Era uma vez uma princesa
Com lindos caracóis ondulantes
Mas no seu cabelo seboso
Os piolhos eram abundantes
Era uma vez uma princesa
Que tinha um belo sorriso
Expulsava alegremente gases
Sem qualquer aviso
Era uma vez uma princesa
Da mais fina educação
Por onde passava
Sujava sempre o chão
Era uma vez uma princesa
Que tinha imensos casacos
Mas sempre que os usava
Cheirava mal dos sovacos
Poema do Moço do Barrete
(amigo das mimalhas)
Desenho da Olive Oil
(mimalha em pessoa)
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